O objetivo desta Jornada é aprofundar e atualizar conhecimentos teórico-clínicos para os profissionais que trabalham com o bebê e toda a rede que o cerca (profissionais e locais de atendimento), oferecendo um novo olhar sobre a questão dos sintomas na primeira infância.
O psicanalista Victor Guerra pretende, ao abrir um espaço interdisciplinar de interlocução para se pensar a importância dos vínculos e dos sintomas na vida do sujeito ao longo de toda sua vida, nos colocar frente à idéia de desenvolvimento, pensando-o como uma “partitura musical” que vai sendo executada com novos instrumentos e melodias em diferentes momentos vitais. Dessa forma, ele marca os aspectos criativos, transformadores e renovadores do se tornar pai e mãe e, ainda, do ser terapeuta de bebês, enfatizando também a importância dos aspectos não-verbais na constituição do sujeito. Considera de extrema importância que cada profissional possa, ao ir além da compreensão teórica desta clínica, buscar uma atividade de leitura de determinados poemas, com o intuito de se poder depois trabalhar a metaforização que esconde cada um deles, para a compreensão desta clínica que é tão marcada pelo ritmo e pela noção de temporalidade. Busca, com esta possibilidade de se conectar com a arte, transmitir-nos a importância de o terapeuta de bebês e de crianças muito pequenas (do infans) desenvolver uma sensibilidade na direção da Narratividade – das palavras e dos silêncios - entendendo-os como "embaixadores do mundo interno" do sujeito. Ele, profissional que transita entre vários países de línguas diferentes, reconhece que com este “acento” dado à nossa poesia, homenageia a musicalidade da nossa língua e de nossos poetas: Manoel de Barros, Ferreira Gullar, Carlos Drummond de Andrade, Mario Quintana, Clarice Lispector e, por que não, também Machado de Assis.
Coordenação: Elô Lacerda
Colaboradores: Bete Arbaitman e Flávio Veríssimo.